Nota aos leitores do blog "Comunicar é preciso"

Para não estranhar tanto, antecipo escrevendo essa nota.

Este blog que até agora servia para escrever textos ligados a eventos ou ideias diversas sobre a realidade política, eclesial, cultural e familiar, agora passa a ter um foco exclusivo: meus devaneios, reflexões, percepções ligados ao meu campo de pesquisa, isto é, o estudo sobre as influências, causas e efeitos das novas mídias na vida da gente, sobretudo, o impacto da cultura digital na sociedade e na Igreja, em particular.

Desde 2008 venho estudando e pesquisando sobre os efeitos da Internet na minha vida e na vida da sociedade. A percepção do mundo mudou com a chegada da internet na minha vida. O Talvacy da era do rádio, quando vivia na casa dos pais, no sítio Bartolomeu, pouco tem a ver com o Talvacy da era do Twitter, do Instagram, do Facebook, enfim, da cultural digital. Vivo 24 horas na rede. Até pra dormir busco nela algum fundo musical, alguma rádio web, às vezes, algum conteúdo sonoro ligado ao meu campo de interesse. 

Com a Internet, não mudou apenas o meu jeito de estudar. Mudou também meu jeito de relacionar-me, de rezar, de conviver com família e amigos, de comprar, de viajar, de pesquisar, de amar, de odiar, de divertir-me, enfim, mudou o meu jeito de pensar, mudou profundamente o meu universo cultural.

O interesse em estudar a cultura digital emergente começou em 2008, quando viajei pra Europa com o objetivo de fazer bacharelado e mestrado em comunicação social. Estudando as teorias da comunicação, percebi que havia dois universos falando línguas  diferentes: o universo analógico e o digital. Mesmo vivendo o início da era digital, as teorias abordadas em sala de aula eram predominantemente teorias da comunicação analógica, aquelas da mídia tradicional, rádio, tv, jornal de papel.

Sinceramente, não lembro  professor abordando, por exemplo, as teorias das novas ciências das redes que surgem no início deste milênio. Os textos sugeridos pelos profesores no período que estudei em Roma eram de autores que faziam uma leitura marginal e, muitas vezes, aversa e preconceituosa sobre as mídias sociais.

Curiosamente, recorrendo às fontes paralelas àquelas sugeridas pela  academia, percebi que a internet introduzia a chegada de uma nova civilização, de uma nova cultura, e, portanto, a chegada de um novo ser humano. Nunca duvidei disso porque usava como premissa a guinada cultural que estava acontecendo na minha própria vida, após minha entrada no ambiente digital.

Mesmo sem contar com as motivações da academia, minhas teses de bacharel e mestrado foram dentro do campo digital. No bacharelado escrevi sobre o jornalismo feito pelo povo, o fim do monopólio da informação, graças à Internet. Para publicar uma notícia, basta ter acesso à rede, não precisa ser dono de rádio, nem ser amigo do editor do jornal da cidade.

Para o mestrado fui mais longe. Quis saber como os órgãos de jornalismos lidam com as mídias sociais. Curiei, precisamente, como três agências do jornalismo americano faziam uso do Twitter.

A conclusão foi: o modelo tradicional das instituições de comunicação adapta as novas mídias nas suas velhas práticas, ou seja, instrumentaliza o digital na sua arcaica forma analógica de fazer informação. Parafraseando um nerd que não lembro quem, conclui minha tese dizendo: não adianta mudar apenas o software, tem que mudar o hardware. Não adianta encher as agências de novas mídias se a estrutura, se o modelo organizacional das agências são as mesmas do século XVIII. 

Isso serve não apenas para o jornalismo, serve para todas as instituições da sociedade-rede emergente. 


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