As minhas 10 primeiras imagens do Papa Francisco

As primeiras imagens são impactantes. Pra ser sincero, ainda estou em estado de espanto, meio hipnotizado. Talvez seja por causa do forte cheiro do perfume recém-lançado no ar da nossa Igreja; é como se o vidro do meu perfume preferido caísse no chão e derramasse todinho, exalando aquele aroma forte e gostoso na casa toda. 

Tenho lido bastante coisa sobre o Papa latino-americano. Há muita leitura, com diversas interpretações, graças a Deus.
  • Temos aqueles jornalistas que veem em Bergoglio o homem ideal para governar a Igreja do nosso tempo; 
  • Outros observam o lado popular, sereno e amigo dos pobres, um pastor próximo do povo, comunicativo, conquistando desse modo, a mídia e o mundo todo. 
  • Há ainda aqueles que veem um papa conservador, longe da política, que não quer enfrentar profeticamente esse sistema perverso, causador das guerras, da fome, enfim, do mal no mundo; 
  • Outros veem um papa fiel às leis e normas da Igreja, portanto não mexerá  em questões sensíveis no interior da Igreja: celibato dos padres, ordenação das mulheres, uso de preservativo, etc. 
  • Sem esquecer também aqueles que escrevem para fazer falsas acusações, usando dados infundados, com intenções de ofuscar e denegrir a imagem do Papa latino-americano. 
Dentro desse caldeirão de literatura, prefiro visualizar as melhores imagens de Francisco, aquelas que nos enchem de esperança: 

A primeira imagem: foi aquela quando ele apareceu à multidão na janela da basílica de São Pedro, um homem discreto, simples, sensível e comunicativo. Durante mais de um minuto, em pé, enquanto a multidão o aplaudia, ele, imóvel, usou apenas o olhar e o silêncio para ouvir e ver Deus no rosto do povo, sua Igreja, presente na praça de São Pedro. 

Segunda imagem: a de um homem sem ostentação e vaidade: aparece vestido com uma simples batina branca; e na sua primeira saudação, o Papa não usou o "Laudetur Iesus Christus", mas o popular "boa noite". 

Terceira imagem: a de um homem livre e orante, que quebra ritual para tornar Jesus mais visível ao povo. Conforme previa o ritual, o papa deveria dar, primeiro, a benção apostólica. Ele fez diferente. Primeiro, inclina-se diante da  multidão na praça São Pedro e pede ao povo que o abençoe. 

A quarta imagem: um papa descentralizador e popular. Chega sem pretensão nenhuma de querer mudar nada sozinho. O bispo e o povo, juntos “rezemos uns pelos outros, rezemos por todo o mundo, para que exista uma grande fraternidade”, ou seja, juntos construiremos a mudança que sonhamos ver na Igreja e no mundo. 

Quinta imagem: um papa pobre e que faz opção pelos pobres. Foi essa sua identidade que o fez escolher o nome de Francisco. O papa confessou que a escolha do nome Francisco teve forte influência do seu grande amigo, Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo. Dom Cláudio no conclave estava sentado ao seu lado: "quando a coisa ficou mais perigosa, Dom Claudio me confortava, e quando os votos chegaram a dois terços, ele me abraçou, me beijou e disse, "não se esqueça dos pobres"”. Bergoglio confidenciou que, naquele momento, os pobres entraram na sua cabeça. A partir daí, "pensei em Francisco de Assis e depois, nas guerras”. Disse ele que São Francisco é o homem que nos dá esse espírito de paz, o homem pobre… 

Sexta imagem: um papa manso e humilde e, ao mesmo tempo, ousado e profético. 
Ousado porque, diante de um Vaticano com estrutura imponente e poderosa, escolher o nome de “Francisco” significa sonhar vendo uma Igreja sóbria, "povo de Deus", despojada e simples, que, em outras palavras, significa um retorno às fontes originárias do cristianismo, à vida das primeiras comunidades cristãs. 

Foi também uma atitude profética porque - numa sociedade identificada pelo consumismo, pela ostentação, pela concentração de bens, causadora da miséria, da violência e da desigualdade social - o papa traz para o coração do seu ministério, o olhar e a compaixão pelos pobres: "no lugar de gastar dinheiro pra vir visitar o papa em Roma, pegue esse dinheiro e dê para os pobres", disse ele para os argentinos que manifestaram desejo de participar da sua posse, próxima terça. 

Sétima imagem que me causou um surto foi a de um cardeal argentino, nosso vizinho, que lava prato, faz suas refeições, anda de coletivo e metrô, que visita os orfanatos, cadeias, hospitais e, que, agora, virou Papa. É o nosso Papa. 

Oitava imagem: aquela de um papa da estrada, missionário, que não fica na Igreja esperando os fiéis, mas que vai ao encontro deles: "busquemos o contato com as famílias que não frequentam a paróquia. Invés de ser somente uma Igreja que acolhe e que recebe, busquemos ser uma Igreja que sai de si mesma e vai ao encontro dos homens e mulheres que não frequentam a Igreja. Façamos missão nas praças públicas", disse o Papa. 

Nona imagem: a de uma papa comunicativo e aberto à cultura digital. Ele não aparenta ser um homem de grandes discursos, mas de um estilo comunicativo breve, envolvente, popular e místico. Quanto à comunicação nas mídias sociais, disse o papa Francisco: "busquemos também aproximar-nos das pessoas que estão distantes, através dos meios digitais, a internet, com breves mensagens". 

Décima imagem: a de um papa maternal, que cuida de todos os filhos, mas que dá mais amor ao filho em situação especial, frágil, pobre, doente. Ele jamais condenará nenhum de nós por causa dos nossos erros, mas sempre nos acolherá com misericórdia. Foi ele mesmo que disse, hoje, na hora do Anjo, na praça de São Pedro: “temos de aprender a ser misericordiosos com todos”, porque “Deus jamais se cansa de nos perdoar”. 

Comentários

  1. Prezado Padre Talvacy,

    Como já me conhece, sou por natureza, provocador e provocativo, pois como já dizia Descartes: A certeza é fruto do sincero exercício da dúvida. Seu texto me levou a levantar algumas questões de ordem na Igreja:

    A concepção de Frei Beto,Leonardo Bof, Teologia da Libertação e CIA LTDA, sobre a Igreja BOFENTA(Casa da Mãe Joana – Onde todo mundo manda e ninguém obedece) é diametralmente oposta à Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo – PORTANTO UMA HERESIA ECLESIOLÓGICA.

    Em seu recente artigo “Os desafios para o novo Papa” (“O Globo”, 6-3-13), logo de início o controvertido “teólogo” da libertação faz uma declaração muito apropriada para quem desejasse a destruição da Santa Igreja como Nosso Senhor Jesus Cristo a estabeleceu, ou seja, uma instituição sacral e hierárquica.(Em várias passagens podemos constatar isto: Instituição de bispos, presbíteros e diáconos, bem como o combate às heresias.Emlugar algum vemos a Igreja como A CASA DA MÃE JOANA da TL, onde todo mundo entra e manda, pois em lugar onde todo mundo manda, ficamos sem saber a quem obedecer).



    Escreve o irrequieto frade dominicano, tão simpático ao regime ditatorial cubano que há mais de 50 anos subjuga e escraviza ,não por um “governo colegiado”, mas através de um “chefe de Estado supremo e absoluto”, Fidel ou Raúl Castro ,todo um povo:

    “Quais os grandes desafios a serem enfrentados pelo novo Papa? Primeiro, implementar as decisões do Concílio Vaticano II, ocorrido há 50 anos! Isso significa mexer na estrutura piramidal da Igreja, flexibilizar o absolutismo papal, instaurar um governo colegiado. Seria saudável que o Vaticano deixasse de ser um Estado e, o Papa, chefe de Estado, e fossem suprimidas as nunciaturas, suas representações diplomáticas. A Santa Sé precisa confiar nas conferências episcopais, como a CNBB, que representam os bispos de cada país.”



    Como se nota, o progressista Frei Beto desejaria “democratizar” a Igreja — cuja última consequência seria a abolição do Papado — substituindo a autoridade monárquica do Sucessor de São Pedro por um “colegiado”, uma espécie de grupo religioso pentecostalista atuando à maneira de deputados, com direitos igualitários, dentro da Igreja.(A FAMOSA CASA DA MÃE JOANA).

    Um abraço fraterno de seu aluno e aprediz da Vida

    Barros e Shalom !!!

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  2. Querido padre Talvacy, realmente nos últimos dias houve uma euforia dentro da nossa igreja, esse perfume contagiou todas as nossas casas, paróquias, grupos, com a chegada do nosso novo pontífice. Com certeza tivemos essas imagens que vc sabiamente e poeticamente materializou em suas palavras e como formador de opinião nos mostrou. Obrigada, pq para nós é muito bom termos o conhecimento da opinião dos nossos sacerdotes. Isso sim é ser igreja! Continuemos unidos em oração pelo nosso Santo Papa, para que sendo dócio a ação do Espírito possa conduzir com sabedoria a nossa igreja! Forte abraço!

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