As tecnologias são extensões do corpo humano

Se a leitura de um simples livro pode influenciar, radicalmente, sua percepção sobre determinada realidade, imagine o que pode afetar, na sociedade, a chegada de uma nova mídia.
Passei muitos anos na universidade, estudando teóricos da comunicação, mas nenhum deles me convenceu tanto quanto o canadense Marshall McLuhan. A conversão foi lenta, aconteceu somente agora, depois que realmente o conheci, através de alguns dos seus livros. O ponto alto da adesão deu-se depois que mastiguei a sua obra principal: Os meios de comunicação como extensões do homem (Understanding media).
Reconheço minha limitação na literatura inglesa, oxalá, um dia, chego lá. Digo isso porque, para conhecer bem o pensamento macluhanista, é preciso dominar bem a sua língua mãe. Faz-se necessário um mergulho no tempo e no espaço cultural vivido e pesquisado por McLuhan. Ele foi um filósofo humanista, católico, pai de seis filhos. Foi um professor amante da literatura inglesa e conhecido como um pioneiro dos estudos filosóficos e culturais das transformações sociais afetadas pela revolução das tecnologias eletrônicas do século XX.
Como todo inovador e profeta, McLuhan foi amado por uns e odiado por outros. Pelo fato de ser visto como um visionário da comunicação eletrônica e, ao integrar o mundo humano no mundo tecnológico, criando uma relação de  interdependência, vários críticos o interpretaram como um “determinista tecnológico”. Já outros preferiram vê-lo como um anarquista, haja vista que exaltou a influência revolucionária da mídia sobre os poderes constituídos: Estado, escola e todas as organizações hierarquicamente constituídas. 
As críticas que McLuhan recebeu são, basicamente, as mesmas a que os atuais teóricos da comunicação digital se submetem, quando fundamentam as consequências que a cultura digital provocam, nas atuais organizações, e, em geral, na sociedade. 
Pelo que venho percebendo até então, a melhor forma de estudar o presente e projetar o futuro é agarrar-se na história das tecnologias de comunicação, sobretudo daquelas disruptivas, para poder ler, compreender e planejar o mundo atual da sociedade-rede emergente.
Nos próximos devaneios, farei uma síntese comentada dos capítulos do Livro Understanding media, de McLuhan. Meu objetivo, aqui, é muscular meus neurônios para uma percepção mais acertada da atual cultura digital que estamos adentrando, tendo como referência algumas mídias ao longo da história que provocaram algo similar no cérebro da sociedade.

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