Enquanto toca a música do "TIRA E BOTA" em Mossoró, o povo dança.

“Em Mossoró temos motivos para falar não de Desenvolvimento Social, mas da ausência de Desenvolvimento Social”, assim introduziu o sociólogo João Freire, ontem à noite, sua palestra sobre Desenvolvimento Social, na paróquia de Fátima.


Falar em desenvolvimento social é falar de segurança, de mobilidade urbana, de educação boa, de saúde, moradia, cultura. 

Desenvolvimento Social é qualidade de vida. Como se encontra a qualidade de vida da população mossoroense? 

Segundo o palestrante, doutor em sociologia, Mossoró conta com 259 mil habitantes (IBGE 2010). Destes, 109 mil pessoas vivem com menos de meio salário por mês.

Poderia dizer que uma pessoa tem qualidade de vida vivendo com menos de meio salário por mês? Sem esquecer também que essas 109 mil pessoas moram nos bairros periféricos da cidade, onde a gestão pública praticamente os ignora. O povo da periferia é o povo dos “sem-nada”: sem infraestrutura básica, sem posto policial, sem saúde, sem saneamento, sem transporte público, sem...

É fato também que Mossoró nos últimos 15 mudou o panorama do centro urbano: belas praças, bonito teatro, ruas bem pavimentadas e arborizadas. Porém, é evidente que esse desenvolvimento é concentrado num pequeno setor da sociedade; é um desenvolvimento elitista, destinado ao povo que tem tudo. 

O embelezamento do centro da cidade, da avenida Rio Branco, servem como marketing da gestão pública para maquiar o quadro de abandono dos bairros periféricos, que continuam em estado sub-humano, de desprezo, de precária assistência de políticas públicas.

Há um divórcio radical entre o jeito de governar no centro da cidade e o jeito de governar nos bairros periféricos;

A qualidade e o investimento na construção das praças do centro da cidade e na dos bairros periféricos são bem diferentes; a qualidade do asfalto dos bairros do centro, especialmente, do Nova Betânia, é totalmente diferente dos asfaltos e calçamentos dos bairros periféricos. 

Fica evidente uma gestão pública com visão política elitista, excludente e clientelista, privilegiando assim uma pequena parcela da população.

Isso acontece, sobretudo, quando o serviço público fica refém nas mãos de pequenos ciclos oligárquicos, que, como o Estado e Mossoró, monopolizam a política há décadas.

O professor de sociologia concluiu sua fala apresentando duas realidades intrigantes: 

- A primeira diz respeito ao alto índice de jovens negros e pobres assassinados em Mossoró. Há uma mão invisível por aí exterminando silenciosamente os adolescentes e jovens das periferias existenciais.

- A segunda é a precariedade dos transportes públicos. Numa cidade como Mossoró, “quem não tem transporte, não tem cidadania”. Pra uma população que beira aos 300 mil habitantes, há no efetivo apenas 18 ônibus em circulação, com péssima qualidade.

Diante de um desenvolvimento elitista e excludente assim, é pura ironia dizer que Mossoró é para todos.




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