Inédito na era moderna: Bento XVI pede renúncia do seu pontificado

Qual é a novidade? A renúncia. 
A última vez que um pontífice pediu renúncia foi há mais de seis séculos, 1415, pelo papa Gregório XII. 

Por que o Papa renunciou? É a pergunta que ronda na cabeça do povo. A idade avançada e o seu atual quadro de saúde podem ser os principais motivos da sua afirmação: “já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino” 

Um gesto simples, mas de uma riqueza infinita. Com o seu pedido de renúncia, o Papa diz para a Igreja (para os leigos e, especialmente, para nós clérigos), que a humildade é uma virtude heróica e evangélica, indispensável na vida do cristão. Somente uma pessoa humilde assume publicamente as suas limitações, as suas fraquezas. 

Após a sua renúncia, dia 28 deste, a Igreja ficará sem papa até a escolha do seu sucessor. Segundo Lombardi, a fumaça branca comunicando o nome do novo Papa deverá sair até o final de março. 

Rezar. Creio que, neste momento de surpresa e expectativa, a oração deve ser o desejo que brota do coração de cada cristão católico. Rezar ao Pai do Céu pedindo que nos envie um pastor profundamente humano e profundamente divino. Que o novo Papa venha com o coração aberto para ouvir e dialogar com o mundo do século XXI. 

Que o Pai de Jesus de Nazaré ressuscite no sucessor de Bento a igreja do Concílio Vaticano II, a Igreja da libertação, do profetismo, da opção pelos pobres, enfim, a Igreja vivida pelos seguidores de Jesus nos primeiros séculos. 

Abaixo, na íntegra, o Papa faz o comunicado ao mundo, direto do Vaticano, da sua renúncia. 

"Queridísimos irmãos, 
Convoquei-os a este Consistório, não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. 

Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino. Sou muito consciente que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também e em não menor grau sofrendo e rezando. 

No entanto, no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado. 

Por isso, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005, de modo que, desde 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro ficará vaga e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice. 

Queridísimos irmãos, lhes dou as graças de coração por todo o amor e o trabalho com que levastes junto a mim o peso de meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. 

Agora, confiamos à Igreja o cuidado de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista com sua materna bondade os Cardeais a escolherem o novo Sumo Pontífice. Quanto ao que diz respeito a mim, também no futuro, gostaria de servir de todo coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração.” 

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