Novas tecnologias: ameaça ou benção para a Igreja?

Quem provar verá. Quem fez ou está fazendo a passagem do tradicional modelo de comunicação para o novo mundo digital, sentirá a mudança radical em quase tudo. 

Não sou nativo digital, mas consigo sentir e imaginar o que ronda dentro do cérebro da minha sobrinha que cresce navegando dentro desse inédito oceano digital. 

Eu, desde 2008, não uso mais agenda de papel, apenas agenda digital, conectada na internet, que me dá a possibilidade de acessar e atualizar os meus compromissos em aparelhos diversos (Imac, Ipad, MacBook), e de qualquer lugar do mundo. Minhas principais fontes de informação e de estudo estão na rede. Quase todos os meus contatos, amigos e colegas também estão em rede. A liturgia diária, das horas, bíblia, tudo está na rede.

Desse modo, a passagem do papel para o digital muda não somente o formato e a linguagem dos meios, mas também muda o modo de administrar a nossa vida cotidiana. 

Baseado no pensamento do Filósofo Pierre Lévy, o jesuíta Antonio Spadaro chega a conclusão que a rede não muda somente a forma como nos  relacionamos com as pessoas, mas também o nosso modo de pensar, de rezar e, em geral, de viver a nossa fé. 

As grandes transformações ocorridas na história têm revelado que, quando mudam os meios tecnológicos com os quais o homem se comunica, também ele muda, ou seja, muda a si mesmo e a sua cultura. 

A respeito da evolução dos meios de comunicação nas últimas décadas, a Igreja tem mostrado abertura e adesão às novas tecnologias. Se é para expandir o Reino de Deus nos quatro cantos do mundo, então, por que temer o “novo”?

Disse João Paulo II, na "Redempetoris Missio", quando a Internet ainda estava em processo de gestação: "Não basta usar os novos meios apenas para difundir a mensagem cristã, mas é necessário integrar a mensagem nesta “nova cultura”, criada pelas modernas comunicações" (n.37). 

Para o jesuíta Spadaro, no seu livro "Cyberteologia", João Paulo II defendia a necessidade de uma reforma da mente, uma reforma do nosso modo de pensar e interpretar a importância das novas tecnologias no processo de evangelização. 

João Paulo II chegou a ver as novas tecnologias que emergiam no final do século como "a divinização da engenhosidade humana" (Mensagem para a XXIII Jornada Mundial das Comunicações Sociais em 1989). 

Paulo VI, já na década de 60, foi muito além, ao enxergar nas novas tecnologias a sua dimensão espiritual. Isso é visível na promulgação do decreto do Concílio Vaticano Inter Mirifica, em 1963: 

"Entre as maravilhosas invenções da técnica que, principalmente nos nossos dias, o engenho humano extraiu, com a ajuda de Deus, das coisas criadas, a santa Igreja acolhe e fomenta aquelas que dizem respeito ao espírito humano e abriram novos caminhos para comunicar facilmente notícias, ideias e ordens" (n.1). 

É profundo e tem uma carga de significado inesgotável a seguinte afirmação de Paulo VI: o "cérebro mecânico vem em auxílio do cérebro espiritual" e completa enfatizando que o homem assume o "esforço de infundir nos instrumentos mecânicos o reflexo das funções espirituais". 

Envolvido diretamente na atmosfera da rede, o papa Bento fala na "Caritas in Veritate", do "extraordinário potencial das novas tecnologias". Ele as descreve como "um verdadeiro dom para a humanidade". (Caritas in veritate, n. 70 e 77). 

Portanto, as invenções tecnológicas foram vistas pelos últimos papas, não como ameaça à evangelização, mas como pura bênção e dom de Deus. 

E você, que pensa? 

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