Esquizofrenia na rede. O que é isso?

"Eu amo meu computador porque dentro dele estão todos os meus amigos". Essa confissão veio de um jovem africano, por ocasião de uma conversa pessoal com o Pe. Antonio Spadaro. 

Lembrei dessa declaração de amor, após publicar no Facebook,  essa foto dos frades, dentro da Igreja, rezando através dos seus smartphones. 

Os diversos pontos de vistas nos comentários a respeito da foto levou-me a pensar na importância da formação e conhecimento da Internet e, portanto, um melhor domínio da nova cultura digital no campo da evangelização. 

Por que sentimos a necessidade de conhecer melhor esse novo jeito de viver e rezar a partir da era digital? 

Porque é notório a visão dualista da Internet; é comum fazermos a distinção entre vida online da off-line, a vida real daquela das redes sociais. Essa dicotomia no modo de ver a rede nos leva a uma "esquizofrenia" de vida, conforme defendem alguns estudiosos. 

Eles afirmam que não há duas vidas. A mesma da off-line é a mesma da online, ou seja, eu não deixo de ser Talvacy quando começo a falar com alguém pelo Facebook ou pelo Skype. Continuo o mesmo. 

Creio que a literatura escrita até hoje sobre a realidade online e off-line seja a principal responsável por essa doença, quase crônica, que requer várias terapias para  superarmos essa visão dualista das relações e do próprio conhecimento.

Conhecer e relacionar-se 

A pessoa se conecta por meio dos novos aparelhos com a finalidade de ampliar, de algum modo, suas relações com as pessoas. Geralmente, o objetivo é tornar-se próximo de alguém que, fisicamente, está distante.

Se o uso do smartphone na Igreja lhe favorece uma aproximação com Deus, pela oração, então, avante.  Por que não? A princípio, não vejo nenhuma razão para não usá-lo. Agora, se o smartphone não lhe ajuda a relacionar-se com Deus, elimine-o dos momentos de orações e, também, de qualquer outro momento que dificulta ou compromete sua relação com as pessoas. 

Portanto, é você mesmo quem vai dizer se o uso das novas mídias são ou não convenientes nos seus momentos de relacionamento com Deus e com as pessoas. 
Assim como disse o jovem africano "amo meu computador porque nele estão meus amigos", também nós poderíamos dizer: amo e uso meu smartphone porque nele estão a bíblia, a liturgia diária, o breviário, todas a minhas orações de devoção, e portanto, através dele, sinto-me bem pertinho de Deus.
O que você pensa?

Comentários

  1. Ñ há dúvida que as novas tecnologias são sempre bem vindas para fortalecer a evangelização. No entanto em algumas situações específicas, tenho algumas reservas quanto a sua utilização. Nas Celebrações Eucarísticas por exemplo. Talvez antes ou depois, mais durante...penso que as Celebrações deveriam ser preservadas e mantidas dento daquilo que o mistério exige. Pode ser até um pensamento arcaico, sei que é algo novo, e como "novo" deve ser introduzido com cautela...quanto a mim, uso as mídias para pesquisa, para ler textos interessantes, para conversar com amigos, agora para o relacionamento com Deus nada substitui a leitura da bíblia, oração do santo terço, oração pessoal e nesse momento o tablet, pc ou ifone só atrapalharia. Em relação aos sacerdotes fazerem uso destes instrumentos "durante" a Celebração, confesso que ainda acho meio estranho...pois , as vezes as pessoas podem não entender e pensar que ele esta recebendo uma chamada/mensagem enfim e aí, os fiéis “ingenuamente” acabem ñ entendendo, ou acabem se dispersando...
    Eu acho a ideia da evangelização pela internet fantástica!!! Acho ótimo que os bispos, padres, os religiosos, consagrados, enfim, utilizem cada vez mais esses meios de comunicação como tablets, iphone, blackberry, etc…contando que esses instrumentos não venham substituir o Missal Romano nem os tradicionais livros na liturgia católica. Como tbm os cristãos não podem substituir a participação da santa missa, pela internet ou TV. Esse é meu pensamento, como o tema é bem polêmico com certeza vai está aberto a várias opiniões e assim, surgirá novos esclarecimentos a respeito. É preciso bastante sabedoria para esse “novo” que chega a nossa igreja.
    Deus abençoe!

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  2. Quem já vive dentro do mundo digital, ou seja, quem tem seus livros, bíblia, liturgia das horas, tudo no seu tablet ou smartphone, não terá nenhum problema para rezar e até celebrar missa pelo Missal Romano digital. Desde 2008, não uso mais agenda de papel, não ando mais com caneta no bolso, tudo é digital. Claro, como estamos em processo de transição, em muitas ocasiões, sou obrigado e usar papel e lápis. Todavia, hoje, não vejo nenhum sentido ler os textos bíblicos na bíblia de papel se já os tenho disponível no meu tablet.
    Respeito e entendo perfeitamente quando muita gente não é de acordo com o utilizo das novas mídias nas celebrações, porém não podemos ignorar o avanço veloz das mídias dentro dos velhos paradigmas. Penso que quanto melhor se adaptar às mudanças, melhor e mais proveito obterá.

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  4. É importante a utilização dos meios eletrônicos na Santa Missa, pois precisamos acompanhar a cultura atual, Padre Alírio nos lembra que Jesus é um pedagogo, pois Ele sempre pregava de acordo com a cultura daquela época. Exemplo: Falava em Sermão da Montanha, Filgueira, Frutos, ventania, fogueira, ser pescador de homens... as parábolas geralmente são voltadas para uma linguagem da agricultura, ou seja, direcionadas de acordo com a realidade da época. Lembro neste espaço, o nascimento de São João Batista, que a família precisou fazer uma fogueira para anunciar o seu nascimento, e hoje, para anunciarmos o nascimento das crianças, não é preciso fogueiras, e sim, a utilização do celular ou a internet.

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    1. Caríssima Luisa Nunes, concordo com vc quando diz que a Igreja deve acompanhar a linguagem de cada época. Gostei da sua fundamentação histórica. Penso que seja perigoso querer interpretar o presente, sem tomar como referência o desenvolvimento das mídias ao longo da história. Valeu pelo comentário. Muito obrigado.

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