Amanhã: democracia ou pseudodemocracia?


Estamos às vésperas do dia da votação. Para a grande maioria, sair de casa para votar é uma obrigação; para aqueles que vivem a cidadania no dia-a-dia, o voto é mais uma atividade cívica, cujo objetivo é a escolha de um cidadão que represente o povo na administração do município.
O desencantamento da maioria do povo pela política está ligado às práticas de corrupção que têm ocupado lugar central em todos os cargos políticos do nosso país. Enquanto nos preparamos pra votar, na mídia acompanhamos as CPIs, os mensalões, as marcas da corrupção nos cargos de alto escalão dos governos. 

Enquanto estamos pensando em escolher o melhor pra cuidar da nossa cidade, deparamo-nos com candidatos que gastam milhões com compra de votos. Enquanto esperamos escolher um político honesto, que governe pra todos, vemos candidatos rodeados de grupos de interesses, de nepotismo, todos estes sem nenhum compromisso com o bem público.
Neste sentido, votar passa a ser um pesadelo. A maioria dos candidatos busca não o bem comum, o governar para todos, mas governar para o seu grupo de privilegiados e para seus próprios interesses. Daí, entendemos o porquê fazem tudo pra não perder o poder. Todo o sacrifício feito na campanha não tem nada haver com o desejo pessoal de dar a vida pelo o "bem comum", mas de fazer do "bem público", um bem pessoal.
Esse atual modelo político reflete a saturação da democracia representativa vigente, que não responde mais à sociedade de hoje. Quando a política não responde aos questionamentos de um tempo, é reflexo de que o Estado se  encontra doente, em crise. Como vimos no ano passado, nos movimentos juvenis na Europa, especialmente, na Espanha, quando gritavam: “nossos sonhos não cabem mais nas suas urnas” ou então, “essa democracia que tá aí não nos representa mais”.
Democracia é muito mais do que um simples voto. Democracia é um modo de vida, de ser, de pensar, está ligado ao agir político do cidadão. Desse modo, o cidadão é chamado a exercer sua cidadania não somente no momento das eleições, mas durante toda a vida.
Diz a cartilha da CNBB sobre as eleições municipais 2012 que “o modelo de democracia liberal gera uma crescente descrença no processo de escolha de seus representantes, pois uma vez eleitos, não há forma de garantir o cumprimento dos compromissos de campanha”.
Não podemos chamar de democracia se resumo minha vida política ao apertar a tecla final “CONFIRMA” na urna eletrônica. Daí entendemos a pseudodemocracia em que vivemos, quando tudo funciona como um simples ritual, um simples cumprimento da lei.
Paulo VI dizia que a política é o exercício da caridade, “é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros”.
A Igreja não está fora deste momento decisivo para os nossos municípios. Através da cartilha de conscientização, os bispos alertam a:
- Formar o cidadão para a participação;
- Conscientizar para o voto cidadão;
- Ter cuidado com a santidade... de pau oco: “há lobos que usam peles de carneiro quando se apresentam pedindo votos”
- Pautar o Orçamento Participativo;
- Acompanhar diariamente os poderes e
- Construir a sociedade do “Bem Viver”.
Movidos pelo sonho de Deus - de sermos sujeitos ativos na construção de um outro mundo possível - amanhã, todos nós iremos exercitar a nossa cidadania e assim buscar "a construção de uma cidade mais igual, de uma política feita de sujeitos e não de objetos".


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