Centochiodi, um filme


Vi, há pouco, Centochiodi, um filme italiano, escrito e dirigido por Ermano Olmi, em 2007. 

Um jovem professor de filosofia da religião, da Universidade de Bolonha, abandona a própria vida intelectual e vai viver em uma comunidade simples, ao lado de um rio, longe da cidade, sem dizer nada pra ninguém. Encanta-se com a paz e o estilo de vida dos agricultores, habitantes do lugar. 

Quando a comunidade o conhece melhor, passa a chama-lo de Jesus, por ter traços físicos parecidos e por ter feito uma escolha radical, viver no meio do povo. Ele faz amizade com todos, cria relações saudáveis, participa das festas promovidas pela comunidade, ajuda nas questões práticas, enfim.

Após algum tempo, o jovem é questionado pela justiça. Os policiais buscam saber os motivos que o levou a abandonar a universidade, bem como, saber porque ele pregou, cada um com um grampo, os 100 mais preciosos livros da biblioteca de Bolonha. O jovem responde com sinceridade e, por isso, é liberado. 


Algumas frases do jovem protagonista:

"Tem mais verdade em um abraço que em todas as páginas destes livros", disse para o padre,  responsável pela biblioteca da Universidade de Bolonha, que passou a vida lendo, sem ter nenhum contato com a realidade.
Outra forte frase: "todos os livros deste mundo não valem um café com um amigo". E mais, "A verdade é que a religião não salva o mundo, nem faz um mundo melhor".

O filme, na minha opinião é uma crítica ao Estado e à religião. Por um lado,  revela as instituições que governam as pessoas, a sociedade, sem haver nenhum contato com a cultura de cada povo, de cada comunidade. O único interesse é defender o status quo. Critica duramente a estrutura vertical, hierárquica dos que governam. O papel do povo é de, somente, obedecer às leis dos que mandam, sem murmurar.

Por outro lado, na figura do jovem protagonista, vem fora a imagem do cristianismo, ou seja, a felicidade e o sentido da vida consistem em viver em comunidade, na prática do bem, da solidariedade, do amor recíproco, do respeito. Penso que o jovem reflete muto bem os valores pregados e vividos por Jesus. 

Disse Alberto Crespi, um crítico, após assistir ao filme: "é uma obra profundamente cristã e ferozmente anti-clerical".

Enfim, o filme é muito inquietador, provocante, que nos leva a pensar no estilo de vida que temos e nas escolhas que fazemos a cada dia. Vale a pena.

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