"Testemunhas Digitais"

"O tempo em que vivemos conhece um enorme alargamento das fronteiras da comunicação, realiza uma inédita convergência entre as diversas mídias e rende possível a interatividade entre as pessoas" disse o Papa, Bento XVI, domingo, ao meio dia, aos participantes do convênio, promovido pela Conferência dos Bispos Italianos, cujo tema foi "Testemunhas digitais".

Acrescenta o papa, concluindo o convênio na sala Paulo VI que, "a rede manifesta uma vocação aberta, tendencialmente igualitária e pluralista". Porém "fala-se em digital divide. Este separa os inclusos dos excluídos, aumentando, também, os perigos de homologação e de controle, de relativismo moral e intelectual"

Os dias 23 e 24 foram marcados por reflexões feitas por grandes expoentes da comunicação da Itália e dos Estados Unidos. Tentarei, em poucas palavras, descrever os elementos mais importantes do convênio.

Na rede digital, qual é o humanismo?

Dom Claudio Giuliodori, Presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Comunicação Social, defendeu a mídia digital como espaço de humanização. As relações criadas através das mídias sociais (iphone, orkut, facebook, etc.) são espaços de integração e de exaltação da integridade e da dignidade da pessoa humana.

A identidade da geração digital

Cresce a necessidade de contar histórias, de partilhar experiências, de olhar curiosamente o que o outro faz… - disse Simone Carlo - e acrescentou dizendo que, os jovens usam a rede para criar intercâmbio, isto é, para se relacionarem.

Carlo destacou, também, o crescimento de uma geração digital que converge entre a mídia convencional (TV, rádio, jornal impresso) e as novas mídias, o que ele a chamou de uma "cultura convergente". A cultura de convergência terá um diálogo frutuoso no futuro da cultura digital, conclui.

Nicholas Negroponte, Fundador e Diretor do Media Lab de MIT

Nicholas apresentou a sua ideia humanitária que tornou-se realidade para milhões de crianças. Ele criou o conceito de "One laptop per child", no qual, pela primeira vez, a tecnologia vai ao encontro das crianças pobres dos países subdesenvolvidos.

Hoje, segundo Nicholas, mais de dois milhões de crianças, entre 6 e 12 anos, em 40 países do mundo usam o computador.

O aspecto mais importante neste projeto é o lado humanitário, isto é, oferecer às crianças o direito de aprender, usando o seu personal computer, na escola ou em casa, sem haver necessidade de energia elétrica.

Mídia, linguagem e crossmedia - com Paolo Peverini, semiólogo.

Multimédia, intermédia, crossmédias, remediar, User Generated Content são expressões de uso sempre mais comuns usados para descrever o universo do mundo digital, as práticas de produção, distribuição e o consumo de múltiplas formas expressivas, formatos, gêneros, e obviamente, perfis e competências dos sujeitos envolvidos.

O espaço da mídia, assegura Peverini, é sempre um espaço de relação, um lugar onde constroem formas e convergem práticas e saberes, histórias e testemunhos.

A fé na rede das relações: comunhão e conexão

Guido Gili, docente de sociologia dos processos culturais e comunicativos iniciou parafraseando Peter Berger, "a fé cristã é, hoje, sempre mais pessoal". Pergunta-se: como cuidar da fé, hoje, no mundo das mídias sociais?

Pontos relevantes da sua apresentação:

- a rede como uma praça - um espaço livre de encontros múltiplos - um espaço público, onde se fala e se escuta e, portanto, um lugar onde se encontra todas as opiniões, sem verticalidade.

- os velhos meios de comunicação respondiam aos valores e aos interesses dos próprios donos.

- os novos meios são o "novo areópago" usado por São Paulo, isto é, a mídia como uma praça pública.

- Assim, como toda praça tem cacofonia, evasões, confusão, os novos médias também portam as mesmas características: blogs, twitters, … Aqui, enfatiza o professor, é importante - entre as cacofonias, ruídos - reconhecer a verdade, a dignidade humana.

- a Igreja deve comunicar com uma pluralidade de vozes, não somente a voz de um que fala em nome de todos. Deve aprender a escutar a voz do coro, isto é, do grupo.

Guido concluiu citando McLuhan: "vivemos em um teatro global, onde todos somos autores". Complementa o professor dizendo que o mesmo vale também para a Igreja. Cada um de nós faz parte do corpo, isto é, a Igreja.

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