A vez do Brasil

Não sei se o que acontece comigo é o mesmo que sente cada cidadão brasileiro que que vive fora do país. O certo é que, passei a amar e a valorizar mais a minha pátria depois que comecei a viver como imigrante, em terras estranhas.

Introduzo assim, para descrever o meu sentimento patriótico vivido sexta-feira (02), ao acompanhar a escolha de um país em Copenhague para sediar os jogos olímpicos de 2016.

Enquanto acontecia a votação, eu estava com 60 padres da minha comunidade, no topo de uma montanha, em uma casa de retiro. O desejo de saber o vencedor era sem fim. O palestrante, em uma grande sala fechada, fazia a exposição do seu tema.

Eu, invés, estava com a cabeça longe, inquieto. Aquela tarde de sexta-feira foi a mais longa da minha vida. E agora? Quem venceu? Como faço para saber o resultado? Chega o horário do café. Corro de um lado e de outro em busca de alguém que me conte alguma coisa.

Entre os padres amigos, há seis espanhóis. “Relaxe meu amigo, a vitória é nossa” disse-me um dos espanhóis. Termina o intervalo, retornamos todos à conferência e lá estou, escutando os palestrantes, enquanto o meu pensamento está longe, lá em Copenhague.

Por duas vezes, saio sala do encontro usando desculpas de necessidade de banheiro, mas era mentira. Na verdade, procurava encontrar alguma televisão sintonizada ou algum anjo que me dissesse alguma notícia. Termina a palestra e lá vamos nós, 60 padres, de dezenas de países, para o refeitório. O assunto durante a janta era um só. Quem vencerá em Copenhague?

Após a janta, na sala de recepção, se aproxima um padre espanhol, e com cara de quem perdeu alguma coisa, cumprimenta-me: “meus parabéns, infelizmente o seu país ganhou do meu”. Eu, como o único brasileiro do grupo, gritei vitória, a emoção pegou fogo, nem tanto por fora, mas por dentro, como azia que queima depois de uma pesado mucunzá com farinha e torresmo de porco. Em seguida, é claro, todos os meus colegas me parabenizaram e, o meu anseio misturado com saudade chega ao fim.

Hoje, quando chego em Roma, rápido, entro no meu quarto e corro para a internet. Todos os jornais italianos acenam a vitória do Brasil. A imagem positiva que já faziam do meu país, agora foi infestada mais ainda, por toda a Itália.

É em situação como esta que, eu e qualquer brasileiro, fora do país, se revestem de patriotismo. Não um patriotismo vazio, anestesiado da realidade, mas, plenamente consciente dos problemas que afligem o país, como, por exemplo, a disparidade social e as mazelas desumanas que, ainda, matam e ferem os direitos do cidadão garantidos na Constituição Brasileira.

Lula e todo cidadão são sabedores dos benefícios que um evento desse porte deixa para o País. Até mesmo a economista tucana, Miriam Leitão, reconheceu as vantagens do evento para o país. Disse ela na rádio CBN que 97% dos gastos com as Olimpíadas voltam para os cofres públicos na forma de impostos.

Por isso, vitórias como esta nos enchem de alegria e de orgulho. Lula assim se expressou tomado pela emoção, logo após o resultado “(…) Essa vitória não é uma vitória individual, é uma vitória de 190 milhões de almas, é uma vitória do continente sul-americano, é uma vitória da América Latina. Eu acho que prevaleceu a razão, a paixão, prevaleceu a verdade. O Brasil merecia fazer uma olimpíada”.

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