Um menino da roça com o Papa


É isto mesmo. Ele, sou eu, do sítio Bartolomeu, no recanto do Estado, município do Venha Ver. Filho de simples agricultores, Seu Abraão e D. Nucy.

No período da infância, tomando banho de chuva, catando feijão na roça, pastoreando o gado na manga, quando ouvia falar sobre o papa, a imagem que vinha na minha cabeça era de uma figura misteriosa, metade divina, metade gente, como se fosse uma coisa mágica, uma realidade distante e impossível de um dia vê-la. Isso é típico das fantasias das crianças do sítio daquele tempo.

De lá pra cá, muitos véus desapareceram, muitas fantasias perderam a sua magia. A primeira, recordo, era o padre da minha paróquia. O fato de morar no sítio e andar, periodicamente, 18 km até a cidade para participar da missa. Aquele homem, que falava sobre Deus, céu, inferno, de vestes estranhas, com uma tira de pano sobre os ombros, que mudava de cor várias vezes durante o ano.
Depois, o bispo, a pessoa mais importante da região, também com vestes mais estranhas ainda. Tinha medo. Não entendia o porquê de tudo aquilo. Durante a missa ele usava um chapéu esquisito na cabeça, uma linguagem muito difícil, parecia uma língua estrangeira. E nessa via toda, muitas outras ilusões bobas e ingênuas descreveram-me a Igreja da minha infância.

Hoje, lá eu estava, conversando com o papa, aquele, o homem metade Deus e metade gente conceituado pelo eu criança. O aperto de mão, a primeira coisa. Em seguida, o olhar penetrante do papa nos meus olhos, acompanhado de algumas perguntas com curtas respostas. Como se chama? Onde moras? Que estudo faz em Roma? Em qual universidade? Não saberei explicar que sentimentos e pensamentos vagaram em minha mente no antes, durante e momentos depois do encontro. Aliás, muitos pensamentos adormecidos vieram à tona.

Recordei, primeiramente, do Cardeal Ratzinger de
outrora, da sua função como Prefeito da Congregação para a Doutrina da fé. Recordei o que ele significou para a Igreja dos pobres na América Latina.
Das dezenas de padres e bispos que foram acolhidos por ele, com o objetivo de explicar as incongruências de fé, doutrinas, dogmas, etc. que viviam determinadas Igrejas espalhadas no mundo, sobretudo, na América Latina. Você leitor, com certeza, recorda melhor do que eu.

É claro, seria impossível descrever o rebuliço que aconteceu dentro de mim ao viver este dia inédito em minha vida. Somente Deus me entendeu o tudo e o nada do dia de hoje.

No fim do encontro, o papa deu um rosário para mim e para cada um dos presentes. Depois dirigiu-nos a benção, nos despedimos e saímos acompanhados pelo mestre de cerimônia até a esplêndida sala de acolhida.

Comentários

  1. Fico muito feliz por você meu amigo querido, por ver que aquele menino que nasceu no sítio Bartoloneu, apesar das dificuldades não se deixou vencer pelos obstáculos da vida e correu atrás de seus sonhos. Tenho certeza que está ao lado do Santo padre é a realização de mais um, dos sonho que o menino do Sitio Bartoloneu sonhou.
    Beijo grande
    Saudades de ti meu grande amigo
    Sandra - Mossoró-RN

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  2. MEu irmão, que orgulho imenso de você...com certeza todos queriam um momento deste. Logo qdo vi as fotos me emocionei ao vê-lo falando com a santitade e pensar que saiu lá de um sítio no final do mundo. È muita superação e garra! Parabéns!!!!!!!!!
    Beijus, sua irmã q te ama e te admira muito.
    Evanuzia Danats.

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  3. Que honra, não é Padre Talvacy, está diante do Sumo Pontífice?

    Estavas diante de Pedro... Aquele simples pescador que sim tornou "Petrus"... PEDRA!!!

    Tenho certeza que nem se lembrou do pedido da comunidade de Santo Antônio!

    Mas quem ia se lembrar de um "minúsculo ponto desses" sabendo que estava ocorrendo uma ação muito mais gratificante: SAUDAR O BISPO ROMANO, O primeiro... O príncipe dos apóstolos... O apascentador das ovelhas de Cristo.

    Parabéns!!!


    Edmiray Bezerra.

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  4. Grande Pe.Talvacy, como andas por ai na cidade eterna, muita saudade do nordeste?? imagino que sim!!! que esse tempo de distãncia e certa "solidão" torna-se para ti um ascese espiritual, oferecendo toda a sua vida ao serviço e pastoreio do povo de Deus!! forte abreço em Cristo!

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  5. Caro amigo Pe. Talvacy:

    Que surpresa agradável !..
    Estando eu na casa da minha filha,em
    Ribeirão Preto - SP,para participar e
    vivenciar,em família,das alegrias pelo
    nascimento do primeiro neto,o Príncipe
    João Davi, recebí a sua bonita menságem
    sobre as imágens e fantasias dos tempos
    de menino da roça, confrontadas com uma
    nova realidade, agora, como Pradre, na
    distante cidade de Roma. Quem diria !..
    Que Deus continue a iluminar os seus passos
    e sua mente na direção certa da prática das
    boas obras. Um abraço fraterno do seu sempre
    amigo, Januncio de Araújo Dantas.

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  6. Primeiro que parabenizá-lo pelo blog, está ótimo!
    Agora quero lhe dizer que sua visita ao Papa emocionou meio mundo, pelo que você escreveu. Que maravilha! Que menino abençoado! Que criança vencedora!
    Estou encantada com o que vem escrevendo. Está se exercitando muito bem. A net nos propicia este leque de opções, é só saber utilizar e o Senhor sabe fazê-lo muito bem.
    Que Deus fortaleza cada vez mais sua vocação e sua capacidade cridora, para ao voltar ao Brasil possa servi-Lo na nossa Igreja Particular, levando Sua mensagem ao nosso povo, o povo de Deus, com seus conhecimentos, agora aprimorados.
    Deus o abençoe
    Um fraternal abraço, em Cristo
    Fátima do Belo. Mossoró-RN-Brasil.

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