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Navegar sem autonomia é entrar num navio sem bússola - #02

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Ontem concluí o vídeo perguntando porque é urgente e indispensável robustecer a autonomia onlife na era da reintermediação digital. Clareio com alguns exemplos: Antes do digital, os pais intermediavam e escolhiam para o seu filhinho o tipo de jogo, de filme, de desenho televisivo ou qualquer outra coisa. Hoje, cada criança já a partir dos 4 ou 5 anos de idade, domina o celular conectado à internet, muitas vezes, melhor que os pais, e, por isso, acessa diretamente a tudo, escolhe o que mais lhe agrada no youtube, com ou sem a permissão dos pais. A pergunta é: acessar a tudo, sem intermediação de um filtro, de uma autoridade familiar, é sinônimo de autonomia onlife? Não. Não, porque ser autônomo é, entre outras coisas, saber diferenciar entre aquilo que educa e deseduca, entre aquilo que liberta/salva e aquilo que escraviza/aliena. Outro exemplo: a reintermediação do acesso ao conhecimento acadêmico. Antes da internet, havia basicamente dois meios que intermediavam, formalmente, o co...

Em tempos de pandemia, a Ética é a primeira vítima

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Antes de tudo, ninguém sabe quem tem que viver e quem tem que morrer. É antiético e inaceitável aderir à hipótese de qualquer gestor público negacionista que, no discurso de salvar a economia, relativiza o distanciamento social para infectar rapidamente o maior número de pessoas que, em outras palavras, significa dizer: deixemos morrer as pessoas que não tenham anticorpos suficientes para encarar o vírus e que sobrevivam os que tiverem alta imunidade no contágio pela doença. Não sou médico e nem agente da área de saúde. Eles têm um código deontológico que os protegem e guiam suas condutas, sobretudo em situação de escassez.  Todavia, independente se é da área de saúde ou não, há questões éticas que tocam os limites do nosso agir. A ética não é neutra, cada pessoa tem uma opinião diferente sobre ela. Na hierarquia dos valores, cada um constrói a sua conduta ética a partir da "bolha" social e cultural em que vive. Por exemplo, cientistas, médicos e agentes de saúde...

Como e quando voltaremos a uma vida normal?

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Ninguém está de fora. A humanidade inteira está nua diante dele. Apesar de já ter lido nas mídias sociais, sinceramente, não acredito que alguém de sã consciência consiga afirmar que tudo está bem, que a pandemia nada mudou na sua vida e que continua trabalhando e vivendo normalmente como antes. Em maior ou menor intensidade, todos nós estamos com a taxa de angústia, de nervosismo, de incerteza, bem acima do normal. Muitos pais e avós estão trancados em suas casas, impossibilitados de receber o abraço de seus familiares, de receber visitas ou de visitar seus filhos, netos, vizinhos ou pessoas dos seus ciclos afetivos.  Há aquelas pessoas que perderam o emprego e não sabem se voltarão a recuperá-lo; há aquelas que viram seus negócios sendo fragilizados ou eliminados bruscamente; aquelas que planejavam colocar seus projetos em prática neste ano de 2020 e, de repente, tudo foi diluído ou adiado. Mais grave ainda, aquelas pessoas que perderam entes queridos ou que, pessoalme...

Sem ela, você pode ser vítima e/ou assassino

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Eu e você sem máscaras no supermercado, na igreja ou em qualquer outro espaço social, viramos seres potencialmente perigosos. Foi esse o meu sentimento, hoje, pela manhã, quando fui ao supermercado. Tinha medo de todos que se aproximavam de mim sem máscaras. Consciente ou não, podemos ser assassinos, transmissores da Covid-19 ou vítimas, assassinados por quem se aproxima de nós, infectados pelo vírus.   Diante desse dilema, ao sairmos de casa, a forma mais humana e segura de reduzirmos o sentimento de vítimas e culpados é aderirmos voluntariamente ao uso correto da máscara. E aqui entra o papel da informação científica e da conscientização massiva da população. Isso é fundamental porque ainda vemos diferentes comportamentos diante das normas sanitárias. Há quem ainda resiste ao isolamento social, e mais ainda, ao uso de máscaras. Cada grupo, cada família, cada pessoa, tem uma percepção diferente da atual crise pandêmica. E aqui talvez mereceria, futuramente, um e...