Da Telern do Venha-Ver ao WhatsApp

“Meu filho, boa noite, como foi seu dia? Tá tudo em paz por aí?” Geralmente, assim começa uma das mensagens mais contagiantes que recebo de minha mãe quase diariamente, via WhatsApp (zap). No final de semana vai mais além, a gente conversa em audiovisual, o tempo que temos à disposição, gratuitamente. O zap pouco significa para quem cresceu na era digital, caracterizada pela comunicação interativa e ubíqua, por meio dos bate-papos nas mídias digitais. Para mamãe, todavia, que, até poucos anos atrás, andava quilômetros a pé na direção do telefone público (TELERN) mais próximo da sua casa, na esperança de falar com seus filhos ausentes, o zap tornou-se o meio de comunicação mais valioso da sua vida. Pelo zap, mamãe conseguiu trazer de volta, para bem pertinho dela, todos os seus filhos que há anos vivem espalhados pelo mundo, nos seus respectivos trabalhos. O zap é um meio sagrado para mamãe porque dentro dele estão todos os seus filhos, netos, genros, noras, irmãos...