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Autocomunicação Digital em 360 graus

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Na escola, o professor conectado, o aluno também; na política, o gestor conectado, o cidadão também; na Igreja, o padre conectado, o fiel também; na fábrica, o patrão conectado, o empregado também; no hospital, o médico conectado, o paciente também; no carro ou no ônibus, o motorista conectado, o passageiro também; a patroa conectada, a empregada doméstica também; a elite do centro conectada, a periferia também; o gari, também; o carroceiro, também; a sobrinha de cinco aninhos, também; no topo do mundo, Trump conectado, o papa também. A princípio ele pensou se se tratava apenas de uma viajada abstrata, coisa de quem fixa o olhar apenas em um fenômeno social e se esquece do mundo ao seu redor. Respirou fundo, voltou a olhar para um lado e para o outro, saiu por aí, voou para outros países e chegou a conclusão de que, certamente, nunca antes na história humana, as pessoas, sem tanta diferença de classe – pobre ou rica, pouco ou muito instruída, do campo ou da cidade – tiveram uma...

Aprender ontem e hoje: o que muda?

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Até os meus 10 anos de idade, trinta anos atrás, na minha casa havia apenas a Bíblia de papai, coberta com um pano em cima da estante da sala e alguns livretos de cordel amarelados, guardados na gaveta da prateleira do corredor, que liga a sala e a cozinha. Hoje, diz Castells, 97% da produção do conhecimento humano está digitalizado, quase toda ela disponível no meu smartphone, ou seja, na palma da minha mão. O que isso significa no processo de aprendizagem e na formação da identidade cultural de uma pessoa? Morando no sítio, sem energia elétrica, o único meio de comunicação de massa era um grande rádio de madeira, também muito bem protegido, o objeto mais precioso da casa, que apenas papai ligava em momentos determinados: cantoria, missa e outros programas de seu interesse.  Dentro da cartolina da escola, o caderno e a cartilha do abc. Anos mais tarde, recebo um livro emprestado da escola, maior e mais bonito, com fotos em preto e branco. Não era meu, não pod...

Da Telern do Venha-Ver ao WhatsApp

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“Meu filho, boa noite, como foi seu dia? Tá tudo em paz por aí?” Geralmente, assim começa uma das mensagens mais contagiantes que recebo de minha mãe quase diariamente, via WhatsApp (zap). No final de semana vai mais além, a gente conversa em audiovisual, o tempo que temos à disposição, gratuitamente.  O zap pouco significa para quem cresceu na era digital, caracterizada pela comunicação interativa e ubíqua, por meio dos bate-papos nas mídias digitais. Para mamãe, todavia, que, até poucos anos atrás, andava quilômetros a pé na direção do telefone público (TELERN) mais próximo da sua casa, na esperança de falar com seus filhos ausentes, o zap tornou-se o meio de comunicação mais valioso da sua vida.  Pelo zap, mamãe conseguiu trazer de volta, para bem pertinho dela, todos os seus filhos que há anos vivem espalhados pelo mundo, nos seus respectivos trabalhos. O zap é um meio sagrado para mamãe porque dentro dele estão todos os seus filhos, netos, genros, noras, irmãos...

Vale do Silício: Epicentro da Revolução Digital

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Visitar o Vale do Silício, o berço da invenção das tecnologias digitais do planeta, foi a experiência mais excitante que vivi nos Estados Unidos. É no Vale, localizado na Bahia de São Francisco, Califórnia, onde se reúnem as maiores mentes inovadoras e disruptivas do mundo tecnológico dos últimos cinquenta anos.  Foi parido no Vale o meu primeiro computador que me conectou com o mundo no final do milênio. Conectado na internet, o computador pessoal provocou a maior revolução na história da comunicação humana. O mundo deixou de ser um estranho, ele veio ao nosso encontro, ficou pequeno, hoje cabe na palma da nossa mão.  O Museu da História do Computador foi uma das minhas curtidas preferidas. Gastei um dia todo viajando dentro da história secular do computador. Lá pude tocar nas primeiras tecnologias inventadas, ver e ouvir em audiovisual os inventores que inverteram a pirâmide do acesso aos meios de comunicação no final do século XX: de receptores passivos e excluídos...

Projeto de doutorado aprovado

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De outubro passado até maio deste ano, estava refinando o meu campo de pesquisa para o doutorado. O meu foco de interesse é estudar a emergente cultura digital e as suas consequências na sociedade contemporânea. Orientado pelo professor Anthony Lobo, de outubro até dezembro, fiz uma viagem ao universo de alguns autores que pesquisam a revolução digital em curso. Destacamos aqui Henri Jenkins, Nicholas Carr, Turkle, Piérre Levy, Derrick de Kerckhove e, por último, Manuel Castells. Por se tratar de um tema em ebulição, que se reformata constantemente, a sugestão do orientador foi a de que eu escolhesse um autor principal, e nele direcionasse meu foco em um dos fenômenos da revolução digital em curso. Por vários motivos, optei pelo sociólogo espanhol Manuel Castells e, dentre os seus diversos estudos sobre a sociedade na era da internet, escolhi o conceito mass self-communication (autocomunicação de massa). O conceito “autocomunicação de massa” traduz o maior fenômeno que ...

Retrospectiva 2015: o que de mais relevante levo na sacola da vida para 2016?

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Diante de tanta aprendizagem que obtive, em 2015, o que destacaria como mais importante, no último dia do ano? - Aprendi que a vida não vale a pena ser vivida, se conheço todo o mundo e não conheço a mim mesmo; que o silêncio reflexivo é a via mais segura que me leva a um encontro profundo e verdadeiro, com a essência dos mistérios que povoam a minha própria humanidade; - Aprendi que o amor desapegado requer ousadia e que o desamor é covardia. Não importa a quem amamos, onde e quando amamos, o que vale é amar, antes que seja tarde demais; - Aprendi que, na inédita era do conhecimento em rede, quando tudo está acessível a todos, ser ignorante é uma questão de escolha. Toda pessoa conectada pode pesquisar qualquer objeto ou fenômeno que interesse a ela, gratuitamente, sem sair do espaço onde se encontra; - Aprendi que vivemos em bolhas viciosas - conceitos, dogmas, opiniões, relações, crendices, etc. - e feliz quem tem a coragem de estourá-las, diariamente, a fim de se...

Por que criar um laboratório participativo de comunicação digital eclesial?

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O laboratório - formado por um grupo de estudo no Facebook, que se reune, presencialmente, duas vezes ao mês - é fruto das minhas angústias e dos meus conflitos racionais sobre o mundo digital em que vivo. Esses dilemas foram provocados, inicialmente, quando tive a oportunidade de focar parte dos meus estudos em Roma, na área de Comunicação Digital e persistem, ainda, alimentados pela boa parte do tempo que passo inserido no ambiente digital. Diante dos efeitos das mídias sociais digitais provocados na minha vida como também na sociedade em geral, comecei a perceber que não bastaria fazer uma simples adaptação das mídias digitais ao nosso convencional mundo analógico ou, simplesmente, querer fazer ajustes incrementais para conviver de forma saudável na sociedade-rede. E, como não poderia ser diferente, percebemos que a revolução digital trouxe consequências que desestabilizam e modificam, radicalmente, a convencional estrutura cognitiva, ou seja, afetam, diretamente, o no...