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Projeto de doutorado aprovado

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De outubro passado até maio deste ano, estava refinando o meu campo de pesquisa para o doutorado. O meu foco de interesse é estudar a emergente cultura digital e as suas consequências na sociedade contemporânea. Orientado pelo professor Anthony Lobo, de outubro até dezembro, fiz uma viagem ao universo de alguns autores que pesquisam a revolução digital em curso. Destacamos aqui Henri Jenkins, Nicholas Carr, Turkle, Piérre Levy, Derrick de Kerckhove e, por último, Manuel Castells. Por se tratar de um tema em ebulição, que se reformata constantemente, a sugestão do orientador foi a de que eu escolhesse um autor principal, e nele direcionasse meu foco em um dos fenômenos da revolução digital em curso. Por vários motivos, optei pelo sociólogo espanhol Manuel Castells e, dentre os seus diversos estudos sobre a sociedade na era da internet, escolhi o conceito mass self-communication (autocomunicação de massa). O conceito “autocomunicação de massa” traduz o maior fenômeno que ...

Retrospectiva 2015: o que de mais relevante levo na sacola da vida para 2016?

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Diante de tanta aprendizagem que obtive, em 2015, o que destacaria como mais importante, no último dia do ano? - Aprendi que a vida não vale a pena ser vivida, se conheço todo o mundo e não conheço a mim mesmo; que o silêncio reflexivo é a via mais segura que me leva a um encontro profundo e verdadeiro, com a essência dos mistérios que povoam a minha própria humanidade; - Aprendi que o amor desapegado requer ousadia e que o desamor é covardia. Não importa a quem amamos, onde e quando amamos, o que vale é amar, antes que seja tarde demais; - Aprendi que, na inédita era do conhecimento em rede, quando tudo está acessível a todos, ser ignorante é uma questão de escolha. Toda pessoa conectada pode pesquisar qualquer objeto ou fenômeno que interesse a ela, gratuitamente, sem sair do espaço onde se encontra; - Aprendi que vivemos em bolhas viciosas - conceitos, dogmas, opiniões, relações, crendices, etc. - e feliz quem tem a coragem de estourá-las, diariamente, a fim de se...

Por que criar um laboratório participativo de comunicação digital eclesial?

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O laboratório - formado por um grupo de estudo no Facebook, que se reune, presencialmente, duas vezes ao mês - é fruto das minhas angústias e dos meus conflitos racionais sobre o mundo digital em que vivo. Esses dilemas foram provocados, inicialmente, quando tive a oportunidade de focar parte dos meus estudos em Roma, na área de Comunicação Digital e persistem, ainda, alimentados pela boa parte do tempo que passo inserido no ambiente digital. Diante dos efeitos das mídias sociais digitais provocados na minha vida como também na sociedade em geral, comecei a perceber que não bastaria fazer uma simples adaptação das mídias digitais ao nosso convencional mundo analógico ou, simplesmente, querer fazer ajustes incrementais para conviver de forma saudável na sociedade-rede. E, como não poderia ser diferente, percebemos que a revolução digital trouxe consequências que desestabilizam e modificam, radicalmente, a convencional estrutura cognitiva, ou seja, afetam, diretamente, o no...

Uma noiva esquisita, mas é com ela que vou...

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Alguns colegas ainda continuam estranhando o meu noivado com o pensamento da Escola Canadense de Comunicação. Literalmente, transformei meu blog em um ambiente de reflexão, na área de comunicação digital, partindo sempre da corrente filosófica e teórica de McLuhan, Pierre Lévy e seus companheiros. Escolhi-a porque é, na minha percepção, a melhor Escola que estuda e explica as rupturas de mídia na sociedade e as suas consequências nas organizações e, em geral, na vida humana. Por exemplo, o que significa a chegada de uma nova mídia disruptiva na sociedade? Na História, quais foram as principais revoluções culturais ocorridas e qual a influência da mídia nessas revoluções? A Escola Canadense nos faz perceber as grandes rupturas cognitivas provocadas pelas mídias, ao longo da história humana. Antes, estudava as mídias de forma aleatória e individualizada, preso aos efeitos de cada tecnologia na atual cultura, fixado no presente, sem fazer uma analogia com as revoluções com...

Das antigas estradas de Roma às estradas digitais

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Compreendermos as estradas, as rotas marítimas e os transportes em geral como comunicação, ou meios de comunicação, é fundamental para entendermos a rede elétrica como meio de informação e, atualmente, as redes digitais, como ambientes de comunicação, interação e conhecimento. Seguindo esse raciocínio, percebemos que, antes da eletricidade, até o século XIX, a comunicação dependia, exclusivamente, de estradas, pontes, rotas marítimas, rios e canais. No entanto, o telégrafo acabou a festa: chegou para descolar a mensagem do mensageiro. Com esse sistema de comunicação, não havia mais a necessidade de ele pegar o cavalo e passar o dia, na estrada, a fim de levar a mensagem ao destinatário. E, se o receptor estivesse do outro lado do mar, o mensageiro já não precisava mais passar dias navegando, com o intuito de conduzir a informação ao seu destino específico. Agora, estando um, em uma ponta, e o outro, na outra, via telégrafo, ambos podem receber e enviar mensagens. Com a velo...

A escrita: sem ela, a minha "carta" nunca teria chegado

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Com a escrita, o mundo é a nossa casa : não há barreira física , ou temporal para compartilharmos o amor e o ódio, a paz e a guerra, a vida e a morte. Perto ou longe, ela nos dá a possibilidade e a liberdade de expressarmos o nosso sentimento por alguém.  Nesse sentido, a palavra falada enjaula-me; a escrita liberta-me. A fala limita meu espaço relacional e emocional; já, através da escrita, mesmo distante da minha tribo, continuo me relacionando, trabalhando, estudando, sem romper os laços familiares e afetivos.  Como as demais tecnologias, a palavra escrita não caiu do céu. Na verdade, é fruto de um processo de maturação que perdurou por diversas gerações - antes da invenção do alfabeto na Grécia, por volta do ano VIII a.C, os egípcios e os sumérios já haviam criado, respectivamente, a escrita hieróglifa e a cuneiforme, aproximadamente, 3.000 anos a.C. Hipóteses defendem que a escrita chega para responder a uma latência da sociedade : ...