"A melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza"

Já dizia o jornalista carioca Lima Barreto em uma de suas obras que, amar a pátria é, acima de tudo, conhecer as verdadeiras condições do país para poder melhorá-lo. Dentro dessa atmosfera, fora dos muros do país, busco alimentar a esperança em uma nação, cujos valores e mudanças estão sendo revelados na história da mesma, nesses últimos anos.

Sim, é verdade e ninguém pode negar que o Brasil cresce, a pobreza diminui, a qualidade de vida aumenta e por aí vai. Tudo isso não é fruto do acaso, nem muito menos, milagre. Isso, reflete o trabalho que o Lula com a sua equipe vêm fazendo ao longo dos anos: um jeito novo de governar e uma política humana que coloca o resgate da dignidade dos pobres do país como condição indispensável para o desenvolvimento econômico.

Carregado por esse sentimento patriótico, descrevo o miolo da carta do Presidente Lula lida pelo chanceler Amorim, nesta sexta-feira no Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça).

Lula afirmou que considera inapropriado dizer que o Brasil “está na moda”, porque isso é “fugaz e passageiro”. O Brasil, segundo ele, quer e será ator permanente no cenário do novo mundo.

O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

O presidente brasileiro afirmou em seu discurso que, mais do que um ato de generosidade, a construção da nova ordem mundial é uma “atitude de inteligência política”.

O Brasil, afirmou, está fazendo sua parte. De 2003, quando Lula esteve pela primeira vez em Davos, até hoje, o País viu 31 milhões de pessoas entrarem para a classe média e 20 milhões saírem da pobreza absoluta. A dívida externa foi paga e o Brasil hoje é credor do Fundo Monetário Internacional (FMI). As reservas internacionais saltaram de US$ 38 bilhões para US$ 240 bilhões. O País está consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e caminha para se tornar a quinta maior economia do mundo.

Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou. O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.

Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Lula deixou, em seu discurso, algumas perguntas importantes para os participantes do Fórum de Davos:

Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza? Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral?

Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

E lembrou do Haiti para fazer outra provocação:

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?

Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas.

Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles europeias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

O presidente brasileiro usou o lema do Fórum Social Mundial (FSM) para instigar ainda mais os ouvintes: “Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo”.

Lula disse ainda que é preciso “reinventar o mundo e suas instituições” e resgatar o papel de governar, com criatividade e Justiça.

Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça, elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Hoje, os jornais da Europa e o mundo online publicaram a mensagem profética e esperançosa do Presidente do Brasil. Deu para sentir que, o quadro de saúde do Presidente que o afastou de Davos, não impediu-o de fazer ecoar a sua voz e os seus ideais de um mundo mais justo e igualitário.

Eis aí o porquê do meu patriotismo. O Brasil sendo visto pelo mundo, não como aquele país de oito anos atrás, submisso e condenado a viver das migalhas dos países ricos, mas, uma nação que tornou-se modelo para o desenvolvimento mundial. Esse é o país que amo. É o Brasil que, na pessoa do Presidente Lula, passou a ser respeitado, amado e aplaudido.

Comentários

  1. Muito bom o artigo! O Brasil de Lula é um país feito para os brasileiros, ao contrário do Brasil pensado pelas elites tucanas de São Paulo e Minas! Amo o Brasil que combate a pobreza, que acredita nos pequenos... Finalmente, depois de 5 séculos de desvios, podemos dizer que encontramos os trilhos do desenvolvimento... até que poderia ser mais rápido, mas o importante é que estamos no caminho certo! Agora posso chamar o Brasil de "Mãe pátria", e como Lula,tenho orgulho de ser "Filho do Brasil"! Pode ser ousadia e blasfêmia, mas eu vejo em Lula o cumprimento da profcia de Maria, (para Dom Hélder Mariama): a ascensão dos pequenos, a subida dos fracos...
    Parabéns pela postagem meu nobre comunicador e amigo!
    Francisco Cornelio Freire

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