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Feira de Inovação Social Digital em Roma: uma Experiência

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Cupins comendo o miolo da principal viga de madeira que sustenta o telhado da varanda da minha casa. Um dia, sem esperar, o telhado desaba. Ou, uma experiência já vivida, a de cupins, silenciosamente, comendo o fundo do meu guarda-roupa. O resultado não precisa detalhar. Um belo dia, quando abro a porta do guarda-roupa, para vestir a camisa do meu time esportivo, muito bem guardada, embaixo de todas as outras, deparo-me com os “malditos” cupins que, além de terem já comido boa parte do fundo do guarda-roupa, comeram também parte da minha camisa preferida.  Uso esses dois exemplos para introduzir os dois dias, 6 e 7 deste, que vivi na Digital Social Innovation (DSI) em Roma, como metáforas para falar dos milhares ou talvez milhões de “cupins” humanos (hackathons), inventando novos softwares, aplicativos, escondidos em garagens, quartos, fundos de empresas, moldando assim as instituições e, em muitos casos, mudando, disruptivamente, as formas de pensar, planejar e executar o...

WhatsApp e Sindicato na Greve: 7x1

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O porta-voz da greve dos caminhoneiros foi o #WhatsApp, não os sindicatos. Assim como os políticos não representam mais o cidadão e cidadã, os sindicatos não representaram os caminhoneiros na articulação da recente greve. A metodologia dos sindicatos está obsoleta, precisa ser radicalmente desconstruída. Não se trata de melhorar, trata-se de mudar tudo, caso os sindicatos queiram continuar sendo úteis na era da autocomunicação digital.  45% da mobilização da greve dos caminhoneiros foi articulada pelo WhatsApp e apenas 1% foi convocado por sindicatos e associações espalhados pelo Brasil, revelou a pesquisa coordenada pelo professor Fabrício Benevenuto da UFMG e Yasadora Córdoba da Universidade de Havard nos Estados Unidos, publicada pela BBC Brasil . O acordo sujo que Temer buscou fazer com os sindicatos no quarto dia da greve foi barrado, não pelos sindicalistas, mas pela autonomia comunicativa dos caminhoneiros nas mídias digitais. "Se não tivesse o WhatsApp, eu ...

Autocomunicação Digital em 360 graus

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Na escola, o professor conectado, o aluno também; na política, o gestor conectado, o cidadão também; na Igreja, o padre conectado, o fiel também; na fábrica, o patrão conectado, o empregado também; no hospital, o médico conectado, o paciente também; no carro ou no ônibus, o motorista conectado, o passageiro também; a patroa conectada, a empregada doméstica também; a elite do centro conectada, a periferia também; o gari, também; o carroceiro, também; a sobrinha de cinco aninhos, também; no topo do mundo, Trump conectado, o papa também. A princípio ele pensou se se tratava apenas de uma viajada abstrata, coisa de quem fixa o olhar apenas em um fenômeno social e se esquece do mundo ao seu redor. Respirou fundo, voltou a olhar para um lado e para o outro, saiu por aí, voou para outros países e chegou a conclusão de que, certamente, nunca antes na história humana, as pessoas, sem tanta diferença de classe – pobre ou rica, pouco ou muito instruída, do campo ou da cidade – tiveram uma...

Aprender ontem e hoje: o que muda?

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Até os meus 10 anos de idade, trinta anos atrás, na minha casa havia apenas a Bíblia de papai, coberta com um pano em cima da estante da sala e alguns livretos de cordel amarelados, guardados na gaveta da prateleira do corredor, que liga a sala e a cozinha. Hoje, diz Castells, 97% da produção do conhecimento humano está digitalizado, quase toda ela disponível no meu smartphone, ou seja, na palma da minha mão. O que isso significa no processo de aprendizagem e na formação da identidade cultural de uma pessoa? Morando no sítio, sem energia elétrica, o único meio de comunicação de massa era um grande rádio de madeira, também muito bem protegido, o objeto mais precioso da casa, que apenas papai ligava em momentos determinados: cantoria, missa e outros programas de seu interesse.  Dentro da cartolina da escola, o caderno e a cartilha do abc. Anos mais tarde, recebo um livro emprestado da escola, maior e mais bonito, com fotos em preto e branco. Não era meu, não pod...

Da Telern do Venha-Ver ao WhatsApp

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“Meu filho, boa noite, como foi seu dia? Tá tudo em paz por aí?” Geralmente, assim começa uma das mensagens mais contagiantes que recebo de minha mãe quase diariamente, via WhatsApp (zap). No final de semana vai mais além, a gente conversa em audiovisual, o tempo que temos à disposição, gratuitamente.  O zap pouco significa para quem cresceu na era digital, caracterizada pela comunicação interativa e ubíqua, por meio dos bate-papos nas mídias digitais. Para mamãe, todavia, que, até poucos anos atrás, andava quilômetros a pé na direção do telefone público (TELERN) mais próximo da sua casa, na esperança de falar com seus filhos ausentes, o zap tornou-se o meio de comunicação mais valioso da sua vida.  Pelo zap, mamãe conseguiu trazer de volta, para bem pertinho dela, todos os seus filhos que há anos vivem espalhados pelo mundo, nos seus respectivos trabalhos. O zap é um meio sagrado para mamãe porque dentro dele estão todos os seus filhos, netos, genros, noras, irmãos...

Vale do Silício: Epicentro da Revolução Digital

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Visitar o Vale do Silício, o berço da invenção das tecnologias digitais do planeta, foi a experiência mais excitante que vivi nos Estados Unidos. É no Vale, localizado na Bahia de São Francisco, Califórnia, onde se reúnem as maiores mentes inovadoras e disruptivas do mundo tecnológico dos últimos cinquenta anos.  Foi parido no Vale o meu primeiro computador que me conectou com o mundo no final do milênio. Conectado na internet, o computador pessoal provocou a maior revolução na história da comunicação humana. O mundo deixou de ser um estranho, ele veio ao nosso encontro, ficou pequeno, hoje cabe na palma da nossa mão.  O Museu da História do Computador foi uma das minhas curtidas preferidas. Gastei um dia todo viajando dentro da história secular do computador. Lá pude tocar nas primeiras tecnologias inventadas, ver e ouvir em audiovisual os inventores que inverteram a pirâmide do acesso aos meios de comunicação no final do século XX: de receptores passivos e excluídos...

Projeto de doutorado aprovado

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De outubro passado até maio deste ano, estava refinando o meu campo de pesquisa para o doutorado. O meu foco de interesse é estudar a emergente cultura digital e as suas consequências na sociedade contemporânea. Orientado pelo professor Anthony Lobo, de outubro até dezembro, fiz uma viagem ao universo de alguns autores que pesquisam a revolução digital em curso. Destacamos aqui Henri Jenkins, Nicholas Carr, Turkle, Piérre Levy, Derrick de Kerckhove e, por último, Manuel Castells. Por se tratar de um tema em ebulição, que se reformata constantemente, a sugestão do orientador foi a de que eu escolhesse um autor principal, e nele direcionasse meu foco em um dos fenômenos da revolução digital em curso. Por vários motivos, optei pelo sociólogo espanhol Manuel Castells e, dentre os seus diversos estudos sobre a sociedade na era da internet, escolhi o conceito mass self-communication (autocomunicação de massa). O conceito “autocomunicação de massa” traduz o maior fenômeno que ...