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Por que criar um laboratório participativo de comunicação digital eclesial?

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O laboratório - formado por um grupo de estudo no Facebook, que se reune, presencialmente, duas vezes ao mês - é fruto das minhas angústias e dos meus conflitos racionais sobre o mundo digital em que vivo. Esses dilemas foram provocados, inicialmente, quando tive a oportunidade de focar parte dos meus estudos em Roma, na área de Comunicação Digital e persistem, ainda, alimentados pela boa parte do tempo que passo inserido no ambiente digital. Diante dos efeitos das mídias sociais digitais provocados na minha vida como também na sociedade em geral, comecei a perceber que não bastaria fazer uma simples adaptação das mídias digitais ao nosso convencional mundo analógico ou, simplesmente, querer fazer ajustes incrementais para conviver de forma saudável na sociedade-rede. E, como não poderia ser diferente, percebemos que a revolução digital trouxe consequências que desestabilizam e modificam, radicalmente, a convencional estrutura cognitiva, ou seja, afetam, diretamente, o no...

Uma noiva esquisita, mas é com ela que vou...

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Alguns colegas ainda continuam estranhando o meu noivado com o pensamento da Escola Canadense de Comunicação. Literalmente, transformei meu blog em um ambiente de reflexão, na área de comunicação digital, partindo sempre da corrente filosófica e teórica de McLuhan, Pierre Lévy e seus companheiros. Escolhi-a porque é, na minha percepção, a melhor Escola que estuda e explica as rupturas de mídia na sociedade e as suas consequências nas organizações e, em geral, na vida humana. Por exemplo, o que significa a chegada de uma nova mídia disruptiva na sociedade? Na História, quais foram as principais revoluções culturais ocorridas e qual a influência da mídia nessas revoluções? A Escola Canadense nos faz perceber as grandes rupturas cognitivas provocadas pelas mídias, ao longo da história humana. Antes, estudava as mídias de forma aleatória e individualizada, preso aos efeitos de cada tecnologia na atual cultura, fixado no presente, sem fazer uma analogia com as revoluções com...

Das antigas estradas de Roma às estradas digitais

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Compreendermos as estradas, as rotas marítimas e os transportes em geral como comunicação, ou meios de comunicação, é fundamental para entendermos a rede elétrica como meio de informação e, atualmente, as redes digitais, como ambientes de comunicação, interação e conhecimento. Seguindo esse raciocínio, percebemos que, antes da eletricidade, até o século XIX, a comunicação dependia, exclusivamente, de estradas, pontes, rotas marítimas, rios e canais. No entanto, o telégrafo acabou a festa: chegou para descolar a mensagem do mensageiro. Com esse sistema de comunicação, não havia mais a necessidade de ele pegar o cavalo e passar o dia, na estrada, a fim de levar a mensagem ao destinatário. E, se o receptor estivesse do outro lado do mar, o mensageiro já não precisava mais passar dias navegando, com o intuito de conduzir a informação ao seu destino específico. Agora, estando um, em uma ponta, e o outro, na outra, via telégrafo, ambos podem receber e enviar mensagens. Com a velo...

A escrita: sem ela, a minha "carta" nunca teria chegado

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Com a escrita, o mundo é a nossa casa : não há barreira física , ou temporal para compartilharmos o amor e o ódio, a paz e a guerra, a vida e a morte. Perto ou longe, ela nos dá a possibilidade e a liberdade de expressarmos o nosso sentimento por alguém.  Nesse sentido, a palavra falada enjaula-me; a escrita liberta-me. A fala limita meu espaço relacional e emocional; já, através da escrita, mesmo distante da minha tribo, continuo me relacionando, trabalhando, estudando, sem romper os laços familiares e afetivos.  Como as demais tecnologias, a palavra escrita não caiu do céu. Na verdade, é fruto de um processo de maturação que perdurou por diversas gerações - antes da invenção do alfabeto na Grécia, por volta do ano VIII a.C, os egípcios e os sumérios já haviam criado, respectivamente, a escrita hieróglifa e a cuneiforme, aproximadamente, 3.000 anos a.C. Hipóteses defendem que a escrita chega para responder a uma latência da sociedade : ...

Do grunhido à fala: o que muda?

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Querer entender as crises, as mudanças, os conflitos bem como as revoluções cognitivas e sociais que a atual sociedade vive, sem fazer uma ligação com as principais rupturas tecnológicas e culturais, ocorridas ao longo da história humana é, praticamente, em vão.  Antes de perceber o ambiente social ao nosso entorno, faz-se necessário olhar no retrovisor e perguntar: que mudanças aconteceram na política, na escola, na religião, na cultura, com a massificação da palavra falada, da escrita e do papel impresso? Estudando o que significou cada uma dessas rupturas de mídia no cérebro humano, questiona-se: hoje, com a expansão da cultura digital na sociedade, que mudanças começam a ser visualizadas nas atuais organizações e, em particular, no cérebro humano? Neste texto, começaremos percebendo o impacto da fala na vida humana. Nos próximos artigos - com a finalidade de analisar as revoluções provocadas pelos meios de comunicação disruptivos – conhecer...