Jornalismo na era digital. O que muda?

Algumas personalidades do mundo da comunicação digital partilharam suas experiências profissionais nos três dias do 3º Seminário internacional de jornalismo on-line em São Paulo - SP de 27 a 29 de outubro.

Participei na integra das exposições e debates via online e apresento em síntese, alguns pontos relevantes dos conferencistas.

Com a crescente participação das pessoas nas chamadas mídias sociais, houve consenso em que mais do que relatar, os jornalistas terão de interagir com o seu público.

Um dos mais críticos a esse respeito foi Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, para quem os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agirem como seres humanos. “Os jornalistas online têm de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: ‘isto nós sabemos e isto nós não sabemos".

Outro tema abordado com frequência foi a sobrevivência da mídia em papel e como ela é hoje, frente ao avanço das tecnologias digitais. Via de regra, a maioria concordou que haverá mudanças, mas nem todos apostam no seu fim a médio prazo. Porém, acreditam que o modelo de negócio passará por uma reestruturação profunda, sob o risco de sua extinção.

Nathalie Malinarich, editora executiva da BBC News online

“É preciso fazer um material voltado para todas as plataformas, como: TV, rádio e celulares, entre outros. Nós não temos apenas os vídeos da TV. Nós criamos muito material, especialmente para o site. O público tem privilegiado nosso trabalho por conta desse tipo de recurso.”

Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado.

“O jornalismo nasceu para servir uma comunidade e alimentá-la de informação. A Internet foi feita para jornalismo, ainda que não profissional. A informação bem apurada continua sendo absolutamente necessária para que o mundo continue coeso.”

Pierre Haski, françes, editor chefe do site Rue.89.com

“O jornalismo passa por uma crise moral e buscamos saída para essa crise. A falta de confiança dos leitores pode ser reconstituída na internet. A conversa com eles pode melhorar isso. Nós tivemos muita sorte de ser o primeiro jornal eletrônico diário a ser publicado dessa forma e com esse tipo de pensamento na França”.

Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco,

“Os jornais perceberam que precisam se adaptar de alguma maneira. Não dá mais para ficar disponibilizando conteúdo apenas no papel. As empresas têm de criar o seu DNA de adaptabilidade. Muita gente está tentando fazer coisas diferente”.

José Roberto Toledo, jornalista especializado em política e jornalismo de precisão,

“Entre as dicas que eu posso dar está uma apuração precisa. O conceito de publicar antes não vale mais. O que interessa hoje é dar a melhor informação. Apurem bem, procurem as informações mais contextualizadas, com mais de uma fonte. A checagem ganhou mais importância nos dias de hoje”.

Tiago Dória, jornalista e editor de blog sobre cultura, web, tecnologia e mídia hospedado no IG,

“É preciso dominar os conceitos e não as ferramentas. Elas são um meio para ir a algum lugar. Hoje é o Twitter, amanhã é outra ferramenta. As ferramentas vão e voltam e os conceitos ficam”.

Para mais aprofundamento acesse o site http://www.mediaon.com.br Lá foram publicados em audio e vídeo a participação dos principais conferencistas.

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